Metodologia
Este site afirma coisas sobre o dinheiro de terceiros. Esta página existe para que você possa verificar cada afirmação — e para ser explícita sobre o que os números não conseguem dizer.
1. A pergunta que o site responde
Não é "quanto este ativo rendeu". É "em quantos dos momentos possíveis de entrada este ativo teria superado um piso".
A diferença importa. Retorno acumulado é uma foto: depende inteiramente da data que você escolheu para começar. Se um ativo rendeu 120% em cinco anos, isso pode significar que ele foi bom em qualquer entrada, ou que teve um único trimestre excepcional que salvou o resto.
Para cada ativo pegamos todos os meses possíveis de entrada, mantemos por um prazo fixo, e contamos em quantos deles o piso teria sido melhor.
Permanência fixa
Toda entrada é mantida exatamente o mesmo tempo. Uma versão anterior deste cálculo mantinha cada entrada até hoje, o que comparava um resultado de cinco anos com um de um mês e inflava a contagem de vitórias. Isso custa histórico: 60 entradas mensais com cinco anos de permanência exigem dez anos de dados. Ativos sem esse histórico aparecem com menos entradas, nunca com permanência menor.
2. De onde vêm os dados
| Série | Fonte | Atualizada em |
|---|---|---|
| CDI | Banco Central (SGS) | 2026-09-03 |
| IGP-M | Banco Central (SGS) | 2026-08-31 |
| IPCA | Banco Central (SGS) | 2026-07-31 |
| SELIC | Banco Central (SGS) | 2026-09-04 |
| Preços de ações, ETFs e BDRs | brapi.dev | diária |
| Cotas de fundos | CVM, informe diário | mensal |
A data de atualização aparece em cada página. O IPCA é publicado com cerca de um mês de atraso — por isso a série dele termina antes das outras. Quando um mês não está publicado, a janela de comparação encurta; nunca preenchemos o buraco com uma estimativa.
Proventos
Os preços são ajustados por dividendos e juros sobre capital próprio: o retorno mostrado é o de quem reinvestiu os proventos. Sem esse ajuste, uma pagadora pesada como PETR4 apareceria com +78% nos últimos 5 anos em vez de +512%.
Há uma divergência conhecida de cerca de 2% entre fontes distintas no tratamento de JCP, que sofre 15% de imposto na fonte. Ainda não confirmamos qual convenção a nossa fonte adota.
3. Como os pisos são construídos
Um piso é um índice mais um spread anual. Guardamos apenas o índice puro e somamos o spread na hora de comparar:
piso da janela = índice da janela × (1 + spread)anos
O spread corre no calendário, não no pregão. Uma janela de
cinco anos contra IPCA+6% cobra exatamente 1,065 acima da
inflação do período, mesmo que o papel tenha ficado meses sem negociar. Antes
contávamos os pregões observados do próprio ativo, o que barateava o piso justo
nas séries mais ralas.
Índices mensais (IPCA, IGP-M) têm a taxa do mês distribuída pelos pregões daquele mês, de forma que o mês fecha exatamente na taxa publicada. Repetir a taxa mensal em cada dia inflaria o índice em cerca de vinte vezes.
O IPCA usa o mês de referência, não o de divulgação.
4. Bruto e líquido
Todos os números deste site são brutos de imposto de renda.
Isso é uma limitação real, não um detalhe de rodapé. Os ativos comparados não estão no mesmo ponto da esteira de custos:
| O que mostramos | Taxa de administração | Imposto de renda |
|---|---|---|
| Cota de fundo | já descontada | não descontado |
| CDI, SELIC, IPCA como índice | não existe | não descontado |
| Ação e ETF | não existe | não descontado |
Com come-cotas e tabela regressiva, normalizar isso troca posições no ranking. Um fundo multimercado e uma ação com o mesmo retorno bruto chegam diferentes na sua conta. Enquanto essa normalização não existir aqui, trate comparações entre classes de ativo com cuidado; entre ativos da mesma classe, a comparação é justa.
5. O que estes números não conseguem dizer
Janelas se sobrepõem
Entradas mensais consecutivas compartilham quase todo o período. Duas entradas seguidas com cinco anos de permanência têm 59 dos 60 meses em comum. Um único ano ruim aparece em dezenas de janelas seguidas e parece muitos fracassos independentes quando é um só.
Por isso cada resultado vem acompanhado de quantos períodos independentes cabem no histórico: quantas janelas do prazo escolhido existem lado a lado, sem se sobrepor. Um "199 de 199" em dez anos se apoia em duas décadas distintas, não em 199 medições. É esse número, e não a fração, que diz o tamanho real da amostra.
Viés de sobrevivência
A base contém os ativos que existem hoje. Empresas que quebraram e fundos que fecharam saíram das listas, e sua ausência empurra as médias para cima. Ainda não corrigimos isso.
O passado não é previsão
Este site é descritivo: mostra o que aconteceu, não o que vai acontecer. Não há recomendação de investimento em lugar nenhum, e a ausência é deliberada.
6. O que fica de fora, e por quê
De 1420 séries no acervo, 1196 são publicadas.
- Eventos societários são corrigidos, não descartados. Nossa fonte ajusta dividendos, mas não desdobramentos e grupamentos. Um desdobramento aparece como uma queda de 50% num único dia e destruiria o cálculo. Separamos um evento societário de uma queda real pelo horário: um desdobramento já abre ajustado, num fator que a B3 usa de fato (1:2, 3:2), e o papel negocia normalmente no resto do dia; uma queda real acontece durante a sessão. Em 90 séries o fator foi removido e o movimento real do dia preservado. Em 104, uma cotação que subiu e voltou em poucos dias foi descartada como erro de digitação. Em 137, sobrou um salto que nenhuma dessas explicações cobre — nada antes dele é confiável, então a série começa depois.
- Fechamento sem negócio não é preço. Quando um papel negocia dez mil ações num dia em que costuma negociar cinco milhões, o fechamento daquele dia é uma cotação parada, não um preço. Foi assim que a ABEV3 ficou de fora: na reestruturação AmBev/InBev a fonte entrelaçou dois instrumentos, e alternar entre eles produzia oscilações de 30% para baixo e 20% para cima sem que nenhum passo isolado chamasse atenção. Descartamos essas sessões — em 1103 séries havia ao menos uma, e na série mediana elas são 2,3% do histórico. A comparação é sempre com a vizinhança do próprio papel, nunca com um valor fixo: volume cresceu ordens de magnitude em 26 anos, e um piso absoluto condenaria o início da história de todo mundo que ficou mais líquido.
- Séries curtas. Menos de 12 janelas não formam distribuição, e uma fração como "3 de 3" não significa nada. Esse é o corte para existir uma página; o ranking exige 60 janelas, porque uma lista ordenada por proporção é vencida por quem tem a amostra menor.
- Menos de 2 períodos independentes. Se todas as janelas do prazo se sobrepõem umas às outras, o histórico contém uma travessia de mercado só, e a página diz que não dá para responder em vez de apresentar um número. Vale igual para o ranking e para a página do ativo.
- BDRs não entram na lista de ações. Ação estrangeira cotada em reais acumula o retorno lá fora e a desvalorização do real, o que vence quase qualquer piso em reais. É verdade, mas afogaria todos os ativos brasileiros numa lista só. Ficam ranqueados entre si, na aba BDRs.
- Ativos com liquidez baixa ficam fora do ranking. A lista principal exige volume médio diário de pelo menos R$ 100.000 nos últimos 3 meses. Abaixo disso o ativo é ilíquido — o investidor não consegue comprar ou vender sem impactar o preço. O ranking liderado por small caps que ninguém conhece perde credibilidade, e um produto financeiro não pode se dar a esse luxo. O ativo continua acessível pela busca, com a página individual completa. O volume é medido sobre os últimos 63 pregões disponíveis.
7. Verificação
O cálculo do CDI é conferido contra o acumulado oficial publicado pelo Banco Central: uma série independente da que usamos, com concordância dentro de 0,012 ponto percentual em cada um dos últimos quatro anos. Se essa checagem falhar, nada é publicado.
Cada página traz a data da última observação real de cada série — não a data em que o site foi gerado.